Será que as vidas das pessoas podem ser mais do que as vidas de outras pessoas?

“Alô? Aqui é da base terrestre. Chamando desocupados… Desocupados na escuta?”

Será que as vidas das pessoas podem ser mais do que as vidas de outras pessoas?

Quando se assiste o Treta News (descobri recentemente o canal, coisa de um mês) no youtube, descobre-se que a combinação “adolescente ou/e ‘young adults’ + ‘admirer-celebrity'” trouxeram as tretas de escola para dentro das nossas vidas (mesmo para quem já saiu da vida escolar).
Reparem que na época pré rede sociais, as intrigas se reduziam a hora do recreio e talvez a um grupo de 3 ou 4 amigos que se reunia depois das aulas para se divertirem juntos. A fofoca e ameaças eram via telefone (que era limitado pelos pais) ou via bilhetinho, e leva e trás.
Hoje temos briguinhas infantis ao vivo, 24h, com comentários ilimitados, e ameaças pronta entrega. Temos até perseguição delivery (vide caso do Bluezão).
Um youtuber fala mal do outro, dá um opinião tosca, ou simplesmente é mal interpretado e pronto… nasce uma guerra de uns 3 dias que vai ter no mínimo 500 ou mais pessoas ativas com comentários em várias redes sociais, e mais outras centenas ou milhões de espectadores, se julgarmos o número de inscritos de alguns. Quando é que acaba a infância?
Engraçado? Muito.
Triste? Também.
Você tenta sair do colegial, mas o colegial não sai de você.

Ok, você pode escolher não se envolver, ver, ou saber de nada disso… mas vai haver sempre um encontro de amigos (presencial ou virtual) onde alguém vai citar alguma treta para puxar conversa, e rola aquela mesa redonda, que começa em como a treta é ridícula e termina em como fazer um sanduíche humilde com cara de gourmet seguindo dicas do youtube.
Esse mesmo processo acontece no café da tarde na casa da sua avó. Você não quer saber da sua família, mas aí uma turma começa a falar das merdas ou tretas de algum parente e termina com todo mundo rindo de alguma coisa ou em receita.

Viver em sociedade é muito estranho. O seu desinteresse por alguém alheio a sua existência pode ser tomado como egoísmo (no âmbito familiar) ou falta de informação (nos círculos sociais da internet).
Sua falta de militância em uma causa é um crime maior do que seu sedentarismo e seu ócio criativo é uma vergonha exposta nas fotos de viagens, churrascos e baladas dos seus contatos.

Para mim prevalece a conclusão que eu e minha colega de casa nos tempos de faculdade chegamos:

“Amor é novela. Barraco é vida real”

Agora depois de ler isso vá se exorcizar: Coloque uma música underground, vista-se como se tivesse saído de um filme dos anos 80, coloque seu allstar vermelho, bata seus calcanhares 3 vezes, e diga: “eu não sou igual a vocês, eu não sou igual a vocês, eu não sou igual a vocês”.

Agora que você descobriu que não se encaixa em nada disso, volte para sua TL.

E quem precisa de mais?

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